Foi com esta mensagem que começou o meu "dia que mudou o mundo" durante todo o dia hoje lembrei-me onde estava que estava a fazer e até circunstâncias particulares como a pergunta sobre velocidades que havia no ecrã do computador da escola de condução. O telefonema feito o explicar da situação as hipoteses a rolarem pela minha cabeça.... até ficar uma só. Tinhamos sido atacados, tinhamos sim, porque é raro não haver alguém que nesse dia não se tenha sentido um pouco revoltado, enojado, um pouco americano.Foi o dia em que todos vimos, simultânea, atonita e revoltadamente, um pouco de inferno e um pouco de céu. O Inferno quando os Aviões bateram, as pessoas sufocadas se penduravam das janelas acenando freneticamente panos brancos implorando... "Estou aqui... Ajudem-me!" e no desespero, um voa.. dois, três, impossíveis de contar num terror refletido na cara de cada bombeiro no átrio das torres e de repente, o colapso, uma depois da outra transformam-se numa prisão e num caixão de betão ainda a arder com uma temperatura interna seis vezes superior há de um crematório fúnebre impossibilitando, familías inteiras de reconhecer os seus entes queridos. Todos conseguiram ver, independentemente de credo ou nacionalidade ver o que o Homem no seu pior conseguia fazer, o mal pelo mal, com um objectivo justificado apenas no Terror pelo Terror - como é apanágio deste "ismo". E isso foi o Inferno, mas no meio dos destroços, do misto de fumo e pó uma luz brilhou mais forte, intensa e quente demonstrando a todos o que assistiam a todo aquele triste espetáculo que mesmo nas piores situações o bem ainda existe e está lá simultaneamente com o mal para o contrabalançar, gente simples, que fez algo simples numa situação extraordinária, os verdadeiros heróis, a companhia de bombeiros que depois da ordem de evacuação da torre norte continuaram a subir as escadas procurando evacuar todos os civis, dois executivos que contra a sua própria auto-preservação continuaram as buscas, a todos os que encheram os hospitais para doar sangue, a todos os que ajudaram nas operações de resgate, inclusive os animais pareciam orientados por uma luz maior no meio do inferno como o cão guia que na eminencia do perigo afastou o seu dono da zona de impacto ou aqueles que se recusavam a sair dos destroços frenéticamente procurando por algum som - não são imaginações minhas, está documentado - que lhes indicasse que o seu objectivo ia ser cumprido, gente sem rosto e pequenos grandes momentos de deixaram uma luz de esperança no meio da tragédia. Nova York foi o palco, o Mundo o seu espectador e a peça um misto de desgraça e esperança, porque nesse dia e como em muito tempo não era possível a uma só voz o mundo disse, ainda que por breves momentos - os suficientes - "Estamos juntos nisto, e não nos vamos esquecer".