Muito provavelmente o que vou escrever em seguida vai chocar muitos dos meus conterrâneos, mas as evidências são incontornáveis e as dificuldades à vista.
No último mês muito se tem falado do fecho da Maternidade Mariana Martins em Elvas, um assunto que tem causado muita consternação na cidade - que também é minha - e ao qual não consigo ficar indiferente, não no sentido em que muitos me esperariam ver - defendendo com unhas e dentes a continuidade do serviço de maternidade na Cidade - mas antes compreendendo as razões que levam a actual administração a equacionar a deslocação daquele serviço para fora da cidade, afinal de contas sejamos conscientes e vamos já para a frieza dos números, em 2005 houve de acordo com o Jornal da Cidade 264 nascimentos (0,7 Crianças/Dia) numa população total contabilizada nos Censos de 2001 de 23361 habitantes - com tendência para a diminuição - o que contas feitas nos dá uma Taxa de Natalidade 11,3 nascimentos em cada 1000 habitantes não só um dos mais baixos do país como da própria região o que caracteriza o investimento - de uma maneira fria, admito - como um desperdicio de recursos.
No entanto, e uma vez que estou ligado às Ciências Sociais e sempre fui habituado a frieza e abstracção dos números como algo que não pode, não consegue nem deve ser o único factor a contar em matérias sociais, mas a realidade é que nem há outros argumentos de importância relevada que nos permitam esgrimi-los contra tal saída, OK talves o nacionalismo - sim, eu também não vou muito à bola com espanhois - mas trocamos esse nacionalismo pela segurança dos nosso filhos, sobrinhos ou primos? Não me parece. A realidade é que de acordo com o Responsável Clínico do Hospital, o Dr. Pacheco a segurança dos recém nascidos e das suas mães não está garantida em Elvas e torna-la segura e 100% eficaz na assitência a um tipo tão delicado de paciente é completamente incoportavel para o Orçamento de Saúde quando há hospitais - alguns dos quais eu conheço - em condições deploráveis, não que Elvas não mereça um Hospital com boas condições, mas isso já nós temos, com obras de reformulação recentes num Hospital que já de si não é velho. Temos um hospital que se adequa perfeitamente às necessidades da região, com profissionais - cuja competência nunca em pleno juízo poderia por em causa - que se adequam a essas mesmas necessidades. Juntando estes dois argumentos ao facto do Estado Espanhol se ter disponibilizado a ajudar a cidade de Elvas neste momento de dificuldade em questões de saúde - como já o fez no passado atendendo mães e crianças em risco no Materno Infantil, porque afinal de contas a União Europeia não é só uma fonte de rendimentos - depressa chego à conclusão que um investimento tão considerável no Hospital de Santa Luzia seria irresponsável em momentos de alguma pujança económica e folga orçamental e totalmente impraticável na sotiação em que nos encontramos agora.
Apenas quero deixar um apelo à população Elvense para que não alinhe na sede noticiosa do Quarto poder, tornando ainda mais difíil uma decisão que só de si já não é fácil.