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domingo, julho 27

Experiencias Especiais

Liliana Campos: A Modarte é o evento em Portugal onde Manequins e Crianças com necessidades especiais trocam experiências de vida...

Digo eu... Mas sou só eu ou esta citação têm umas 600 000 maneiras de poder goza-la?!?!

PS. Não... Não esta descontextualizada.

sábado, julho 26

Tudo cresce aqui

Lisboa, madrugada de 26 de Julho de 2007

Naquela casa estranha, e com a luta entre ambos lados do meu Eu a passar por uma trégua temporária, tive toda a noite para gozar aqueles momentos junto de ti, aquela que de uma forma cada vez mais intensa captava a minha atenção, a cada olhar trocado a cada sorriso oferecido a cada Peste! solto com um carinho que é só teu. As fotos, que vejo e revejo e não me canso, que não me importo de tirar, ainda que odeie tirar fotos. No chão em volta de um tabuleiro de um qualquer jogo que nos une, com uma táctica não aprovada que serve de justificação para uma pancadinha carinhosa apercebo-me que o que sinto e que vai crescendo mais e mais a cada hora que passa.

Dou por mim a desejar que o tempo pare… mas ele recusa-se a parar, olho ansiosamente para o relógio e cada vez é mais tarde, os nossos companheiros dão sinal de cansaço, e eu desespero. Não pode acabar tão depressa!! Quando vou estar contigo outra vez?… penso para mim, mas ainda sob o jugo da Razão Tirana nem sequer perco a compostura quanto mais dizer-te isso. Eles voltam a olhar para as horas e a Paixão Rebelde, apropria-se da minha mão e, sem que a Razão Tirana se aperceba, fá-la rastejar, procurar a tua, agarra-a num abraço que o resto do corpo ainda não se atreve a dar, mas que já anseia por ele. Um sorriso volta a trocar-se e a Razão Tirana, fraqueja uma vez mais. Os nossos dedos exploram a palma das nossas mãos numa liberdade que o resto de nós ainda não tem. E de repente, a nossa noite chega ao fim…

O terror apodera-se de mim, mas sei que tem que ser, chegou a hora, a despedida, que nada mais desejo que seja apenas um Até Breve… Lentos, avançamos os dois até ao Hall daquela casa que de repente deixa de me parecer estranha, e que dentro de alguns meses vou ajudar a abandonar olhando, já com saudade, para cada sítio onde estivemos juntos. Encostado à ombreira da porta o duelo entre ambas forças dentro de mim recomeça. Enquanto falamos, enquanto as nossas mãos não se largam, a vontade de te beijar é imensa… A Paixão Rebelde insiste, persiste força-me, mas a Razão Tirana consegue mantê-la confinada à mão… O teu rosto, mesmo àquela meia-luz, enfeitiça-me, prende-me e percebo que também o meu Sorriso se rendeu à Força da Paixão Rebelde pois não posso deixar de te sorrir. E o meu parceiro chega, interrompe-nos arrasta-me para longe de ti.

Já na rua, quase corro para o carro, a Razão Tirana pensa que enquanto mais longe estiver de ti mais fácil será fazer-me resistir a tudo aquilo que causaste em mim, mas mesmo ela sabe que é mentira, pois já tudo existia mesmo antes de te ver pela primeira vez. Olho uma última vez para a janela daquela marquise e por segundos sou capaz de jurar que mesmo àqueles 20 metros os nossos olhares se cruzaram. Sigo pela estrada até Sete Rios, e enquanto deito conversa fora com o meu parceiro a luta em mim contínua. A Paixão Rebelde batalha por me convencer a regressar, incita-me, desafia-me e a Razão Tirana agarra-se a tudo para a impedir, a todos os argumentos para me levar direito a casa. Quando o meu parceiro sai, sigo pela estrada e no momento da verdade no momento da decisão a Razão Tirana consegue vencer e a estrada guia-me para a Margem Sul.

Já no caminho a batalha contínua, sei que as hipóteses de voltarmos a estar juntos nos próximos dias são ínfimas, mas ainda assim a Paixão Rebelde faz uma última investida. Tenta convencer-me a ficar por mais dois dias, tentar passar contigo mais dois minutos que sejam. Investe e desarma a Razão Tirana, mas poupa-lhe a vida, e protege-a da derrota sabe que ainda está forte demais para que seja derrotada por completo. Quando se fitam mutuamente, a Razão Tirana percebe finalmente porque todos os seus esforços são em vão, na profundidade do olhar da Paixão Rebelde, a Razão Tirana reconhece todas as suas anteriores adversárias, unidas numa harmonia perfeita, apoiando uma só causa. A Paixão Desejosa, a Paixão Adorada, a Paixão Intensa e a Paixão Sofredora, todas elas juntas maiores que a soma das Partes impelem-me para ti, apoiadas pela Razão Pura, que desde sempre se mantivera aparte das querelas da sua vil familiar.

Num esgar de terror, de quem sabe que nada mais tem a fazer naquele corpo, retira-se desaparece, oculta-se nalgum recanto como um eremita para todo o sempre. A Paixão Rebelde sorri, exausta mas consciente da vitória e diz-me com voz determinada. Então, diz que ficamos, não é?

Nos dias seguintes, todo eu ando sobre nuvens com “aquele Sorriso estúpido” que alguém diria mais tarde que tenho e com Butterflies In My Stomach esperando intensamente, o momento, aquele momento, o momento certo.

sexta-feira, julho 25

E tudo começa aqui...

Lisboa, fim da noite 25 de Julho de 2007

O telefone toca numa sala estranha e o chão foge-me debaixo dos pés… Rollercoaster… respiro fundo, vejo a mensagem e com um sinal a quem estava comigo, preparo-me para sair. Percorro a estrada entre Benfica e os Restauradores com um medo brutal em atrasar-me, ou perder-me. Ainda não o sei, mas as horas seguintes vão mudar a minha vida para sempre.

Carro estacionado… respiro fundo mais um par de vezes… Vá puto, quem és tu? Só vais buscar uma amiga… Uma voz no fundo que começa a ganhar força sussurra… As if… ignoro-a, concentro todos os meus esforços em acalmar-me e consigo. Subo as escadas, de cabeça ao alto, com uma determinação que há muito não sentia, o estômago dá voltas, o coração palpita mas todo o meu massivo corpo sob comando de uma Razão Tirana, marcha sobre eles mantendo-os anormalmente calmos.

A esquina é dobrada… Calmo, total e anormalmente calmo Uff ainda cheguei a tempo ninguém saiu. Café? Erhhh, Sim, sempre ajuda a passar o tempo. Bebo o café, o liquido quente, normalmente arisco para quem já não está em pleno controlo dos seus actos não surte qualquer efeito. A Razão Tirana, ergue-me em toda a minha ridícula forma, crescido, maior que realmente sou mas mais pequeno que realmente me sinto. Encosto-me de forma vigilante à ombreira do Coliseu. O Coração bate num compasso determinado, calmo, mas algo em mim se agita quando as primeiras pessoas saem pelas portas da sala de espectáculos.

Como o Juiz que assiste a um Duelo, sinto a voz que há pouco sussurrava tomar forma, uma forma determinada, forte, alimentada na clandestinidade. Longe do alcance e da vigilância da Razão Tirana, a Paixão Rebelde tomou força e agora mexe comigo, levanta-me num impulso, faz-me perder o controlo das emoções, sob jugo da Razão Tirana. As duas começam a debater-se e a minha atenção oscila entre o confronto e a vigilância sobre a multidão de passa.

Um sorriso atravessa o meu campo visual. É ela. A Paixão Rebelde faz uma investida mas é subjugada. A Razão Tirana, incólume, mantém-se em sentido, calma, serena, fria. Observando toda a cena com distanciamento… Olá!! Todo o diálogo entre nós se perde no meio do combate que não transparece para o exterior, apenas uma breve conversa na qual se pede um café se trocam uns sorrisos… e que sorrisos. Um toque que se sente tremulo. A chávena que toca uns lábios. E do meu lugar de Juiz vejo a Razão Tirana, empalidecer, fraquejar, a Paixão Rebelde consegue contra atacar, sobrepor-se à força da sua adversária que até aqui vivera incontestada, senhora de si e subjugadora de todas as predecessoras da Paixão Rebelde. A Razão Tirana nunca enfrentara alguém assim, havia qualquer coisa imperceptível, qualquer coisa que não lhe agradava e que começava a ficar segura de que lhe iria ameaçar o domínio sobre aquele Corpo, sobre aquela Alma – ambos meus.

Um movimento do meu corpo parece manifestar esta mudança na batalha, aproximo-me Dela, mas no momento, a Razão Tirana defende-se, retoma o controlo e diz. Não… Não serás capaz, não será assim… a Paixão Rebelde, sorri, e sorri naquele sorriso sardónico tão típico dos heróis que sabem que o seu destino está traçado… São agora elas quem julgam o Juiz, quem avalia cada um dos meus movimentos, e é com a voz mais melodiosa, no entanto, determinada que alguma vez ouvi, acompanhada de um sorriso quente como o que tenho em frente a mim a Paixão Rebelde diz para a Razão Tirana: De hoje não passas.

Pálida de horror, a Razão Tirana olha-me com olhos perscrutadores, que me avaliam e quando percebe, como cobarde que é e consciente que não tem nada que fazer, retira-se. Contudo, por agora é tarde demais a Paixão Rebelde perdeu o seu momentum. Nós dois, retomámos o caminho para o carro, e para a casa estranha que tanto significado ganhará nessa noite.